Alexandre Belmonte
















Nasci e cresci no Rio de Janeiro, em uma família de origem italiana, marcada sobretudo pela memória calabresa, pelas tradições mediterrânicas, pela comida, pela música e pelos dialetos. Essa formação familiar, vivida em uma cidade atlântica, portuária e profundamente mestiça, contribuiu desde cedo para meu interesse por deslocamentos, pertencimentos, fronteiras culturais e formas de memória.
Minha trajetória intelectual foi sendo construída entre paisagens muito distintas: o Rio de Janeiro, a Calábria, os Andes, a Argentina, a Bolívia, a França e, mais recentemente, a Grécia. Em todas elas, reconheci questões que atravessam meu trabalho como historiador: a relação entre território e identidade, a permanência das memórias subalternas, a força das rebeliões derrotadas e os modos pelos quais indivíduos e comunidades preservam dignidade diante da violência, da perda e do desenraizamento.
Sou professor associado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde realizei minha formação acadêmica em História. Minhas pesquisas concentram-se nas relações entre poder, cultura, memória e resistência, com atenção especial aos Andes coloniais, às rebeliões indígenas, à cultura material, às culturas jurídicas e às experiências históricas de grupos subalternos em contextos imperiais, coloniais e pós-coloniais.
Nos últimos anos, a Grécia passou a ocupar um lugar cada vez mais importante em minha reflexão. Esse vínculo nasce tanto de minha formação mediterrânica e calabresa quanto do encontro com a poesia de Giorgos Seferis, com a memória da Catástrofe da Ásia Menor e com a história moderna grega, marcada por exílios, deslocamentos, feridas imperiais e formas persistentes de pertencimento.
Hoje, meu trabalho procura aproximar América Latina, Mediterrâneo e mundo grego, não por simples analogia, mas pela atenção a experiências históricas comuns: margens imperiais, montanhas difíceis de governar, rebeliões derrotadas, memórias silenciadas e paisagens que continuam a guardar marcas profundas da história.



Fotografia: Philippe Ariagno

